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Eletroconvulsoterapia

Eletroconvulsoterapia: conheça o procedimento e suas polêmicas

Técnica terapêutica cerca de mitos e preconceitos, a eletroconvulsoterapia ainda é tema de muita controvérsia apesar de seus efeitos práticos positivos.

Diferentemente das sessões de tortura envolvendo o uso de eletrochoques, a terapia ECT se utiliza de pequenas correntes elétricas para tratar quadros graves de problemas psiquiátricos.

Conhecer os objetivos e métodos do tratamento ECT ajuda a desmitificar a técnica e facilitar a conscientização dos benefícios para aqueles que necessitam se submeter à este tipo de prática terapêutica.

O que é terapia Eletroconvulsoterapia?

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento que provoca convulsão no paciente por meio de estímulos elétricos no cérebro.

Durante o ECT, o paciente que está sob anestesia geral, recebe no cérebro leves correntes elétricas que induzem à ocorrência de uma rápida convulsão.

Esta indução elétrica auxilia o cérebro a liberar vários neurotransmissores que transmitem os impulsos de informação entre os neurônios. O papel da convulsão no tratamento corresponde à um efeito antidepressivo que ajudam na regulação do humor.

Histórico do uso da terapia

O início da utilização de eletrochoques como ferramenta terapêutica deu-se início nos anos 30 para o tratamento de pessoas que sofriam de epilepsia. Durante esta década diferentes pesquisas foram desenvolvidas sobre o assunto.

Em 1938, em Roma na Itália, realizou-se alguns experimentos com o uso de estímulos elétricos no cérebro para melhorar pacientes com quadros graves de transtornos psiquiátricos.

O sucesso destes tratamentos impulsionou novos estudos que relacionaram as convulsões provocadas pela estimulação elétrica com a melhoria dos pacientes. A partir de então, o ECT ganhou mais destaque como fim terapêutico.

Com o surgimento dos primeiros medicamentos na década de 50 este tipo de tratamento perdeu relevância. Entretanto, o aperfeiçoamento da técnica retomou a importância do uso do ECT em especial para pacientes que não respondem aos medicamentos.

Eletroconvulsoterapia

ECT x Eletrochoque

Diferentemente do que a crença popular faz pensar, eletroconvulsoterapia e eletrochoque não são a mesma coisa. Apesar de utilizarem os mesmos mecanismos, ambos se diferem na forma de utilização e nos objetivos.

O eletrochoque é uma técnica de punição e tortura que foi utilizada em diferentes países e épocas ao longo da história. Neste tipo de procedimento a pessoa está consciente, não recebe nenhum tipo de analgésico e a voltagem da corrente utilizada visa provocar sofrimento.

A finalidade do ECT (eletroconvulsoterapia) é acima de tudo a melhora de um quadro clínico visando a saúde do paciente. Sua aplicação obedece a rígidos padrões que garantem que o paciente não sinta dor ou sofra efeitos colaterais.

Ao mesmo tempo em que o procedimento foi sendo aperfeiçoado, os efeitos para o paciente também foram sendo atenuados. No início do uso da técnica ainda não se utilizava a aplicação de anestesia ou relaxante muscular, hoje isto é corriqueiro.

Como a eletroconvulsoterapia é aplicada atualmente

O procedimento é realizado em um hospital, sendo que o paciente pode estar internado ou vir diretamente de sua casa apenas para a sessão. Todo o processo dura em torno de meia hora e após o ECT ele ainda passa por um período de observação.

O tratamento se inicia logo pela manhã, para que o paciente possa estar em jejum e envolve o acompanhamento de vários profissionais como médico psiquiatra, anestesista, enfermeiros e psicólogo.

Antes de passar pela eletroconvulsoterapia o paciente é anestesiado, recebe medicamentos para relaxar os músculos, procedimentos para oxigenação além de ter seus sinais vitais monitorados.

A técnica consiste na aplicação de um leve e rápido estímulo elétrico na parte da frente da cabeça. O estímulo é conduzido por meio de dois pequenos eletrodos que são fixados no crânio do paciente.

Esta estimulação provoca a indução de uma convulsão, que somente é percebida pelos aparelhos de monitoração eletroencefalograma. Em seguida, o paciente é encaminhado para a observação.

Então se encaminha o paciente para que a equipe de enfermagem acompanhe a retomada de consciência. Inicialmente é normal que em alguns casos o paciente apresente um pouco de confusão ao despertar que logo é desfeita.

O tratamento costuma ser rápido, indolor e não gerar consequência negativas para o paciente. Após o período de observação, o paciente recebe alta e pode voltar para casa.

Como a pessoa se sente após a aplicação do ECT

Outro mito que envolve o uso da indução elétrica no tratamento por meio de ECT diz respeito à questão da perda de memória. Quem desconhece o processo costuma afirmar que ele pode levar à perda definitiva de memória.

A grande maioria dos pacientes submetidos à técnica não se lembra do que ocorreu durante o tratamento. Entretanto, este quadro se refere apenas ao período entre a aplicação da anestesia e o despertar na enfermaria.

É uma situação muito comum entre pacientes que passam por qualquer tipo de cirurgia e necessitam receber anestesia geral. Porém, logo após o tratamento a pessoa retoma sua consciência e memória.

Os estudos sobre o tema apontam que uma pequena parcela de pacientes, frequentemente idosos ou que façam uso de medicamentos para memória, podem apresentar quadros de pequenos esquecimentos nos meses seguintes à aplicação do ECT.

Porém, estes pacientes costumam não sofrer mais desta sequela em um período não superior a seis meses após o procedimento. Somente um número diminuto de pacientes necessitarão de algum tipo de medicamento para melhorar o quadro.

Outros efeitos colaterais comuns pós aplicação do ECT são enjoo, tontura, dores de cabeça e certa rigidez muscular apesar de desconfortáveis eles desaparecem algum tempo depois.

Eletroconvulsoterapia

Indicações de tratamento com a eletroconvulsoterapia

Os efeitos da aplicação da eletroconvulsoterapia são semelhantes aos antidepressivos atuais. Ela auxilia na estabilização do humor do paciente e melhora a transmissão dos pulsos elétricos no cérebro.

Entretanto, a indicação de tratamento com ECT deve seguir algumas recomendações específicas. Em geral, os casos indicados para receber o tratamento são aqueles em que o paciente sofre de graves quadros depressivos e que a medicamentação não esteja surtindo efeitos.

A opção pela eletroconvulsoterapia precisa ser vista como complementar às outras técnicas terapêuticas que estejam sendo aplicadas. A experiência clínica tem mostrado que o índice de sucesso em melhora do quadro é bastante positivo, mas não deve ser entendido como a única ferramenta terapêutica.

Além da indicação mais comum, que são os quadros de depressão profunda, o ECT também pode ser recomendado para outros transtornos psiquiátrica como mania, esquizofrenia, quadros de euforia, catatonia, epilepsia, entre outros.

Somente a avaliação de um médico psiquiatra conseguirá definir se o paciente precisa se submeter ao tratamento de eletroconvulsoterapia para melhorar o seu quadro. Além da doença que acomete a pessoa será avaliado questões como o risco de suicídio para se determinar a validade de se aplicar o ECT.

O QC Saúde tem caráter totalmente informativo, não recomendamos que você faça nenhum tipo de procedimento ou uso de medicação sem antes consultar um médico especialista.

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